Review: Mafia 3


Me recordo que Mafia 2 recebeu boa pontuação da crítica devido a diversos aspectos positivos como personagens carismáticos, história bem desenvolvida, trilha sonora, gráficos e jogabilidade, além de cutscenes que criavam um vínculo perfeito entre personagem e jogador. Por anos houve rumores de uma sequência e finalmente em meados de 2015 a confirmação de criou expectativas elevadas em mim.

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Após os gameplays e trailers disponibilizados pelos desenvolvedores, tudo indicava que o jogo seria mais do que apenas um mundo aberto cheio de lutas sangrentas entre mafiosos em busca de poder.

Mafia 3 review

A história proposta parecia interessante, os gráficos e a jogabilidade chamavam atenção. Era prometido como um dos jogos mais esperados de 2016. Mas no final das contas acaba sendo difícil não comparar com uma das maiores franquias da história dos jogos (GTA), e acaba batendo aquela saudade do primeiro Mafia e Mafia 2. E você se pergunta “porque eu comprei esse jogo mesmo”?

O game Mafia 3 foi desenvolvido pelo estúdio Hangar 13 e distribuído pela Games em outubro de 2016, com versões para PC, PlayStation 4 e Xbox One.

O jogo contém uma história de qualidade elevada e diferenciada, onde é possível que o jogador se envolva no enredo que é imensamente explorado com cutscenes que prendem a atenção desde o início. Narrado por personagens relevantes e sob a perspectiva de um documentário que se passa no futuro, começamos a conhecer Lincoln Clay, personagem principal da trama, e seu envolvimento com mafiosos da época em busca de uma vingança pessoal.

Mafia 3

A cada trecho, contado de vários ângulos diferentes, sobra curiosidade para a sequência de ações na cidade de New Bordeaux (uma espécie de Nova Orleans, Estados Unidos), passada na década de 60. Com um personagem principal sendo afro-americano recém chegado do Vietnã, em uma época de forte volta da seita Ku Klux Klan, devido aos movimentos de lutas por direitos civis, é possível passar por situações vividas por negros no período, o que torna o enredo mais forte, justamente pela imersão da realidade da época e sua fantástica ambientação. Um exemplo interessante disso são os diversos momentos em que o personagem entra em lojas onde negros não podem frequentar. Você decide se respeita tal grosseria e se retira, ou fica esperando a polícia chegar para ser agredido e morto.

Apesar desses pontos sociais, o foco do jogo é outro. Desde o início fica claro o objetivo final do personagem. Mesmo com uma cansativa repetição da jogabilidade, é possível criar estratégias de como gostaríamos que Lincoln finalizasse sua jornada.

Com o passar da trama, é colocado à mesa as opções de como prosseguir, onde podemos criar conflitos internos, ou evitá-los. Esse é um grande ponto positivo, pois três personagens totalmente destoantes em personalidade e estilo, mas com um objetivo em comum ao de Lincoln, fazem parte da estratégia para o controle da cidade. Isso aprimora a experiência e enraíza laços entre o jogador e a história. Um spoiler pequeno e bacana para quem jogou Mafia 2, é que nos encontramos novamente com Vito Scaletta (protagonista do game anterior), sendo ele uma das três figuras que Clay se envolve de forma positiva.

De início, quando vemos o mapa enorme e passamos a conhecer a história, ficamos curiosos com o que o jogo pode proporcionar quanto a exploração da cidade. Dividida em uma espécie de distritos, é possível percorrer e escolher quando fazer missões e qual a ordem que preferimos realiza-las.

De início é bem bacana, interessante e divertido, mas logo se torna repetitivo e cansativo. Eu mesma pensei 20 vezes em parar e trocar por um jogo menos óbvio. Não há muita diversidade nas missões e basicamente em todos os distritos da cidade você deve executar as mesmas ações para poder dominar a área, o que acaba tornando tudo muito desestimulante.

Outro ponto negativo em Mafia 3 é a sua inteligência artificial. Apesar de possuir grande carga missões que praticamente só envolvem tiroteios, é fácil demais matar os inimigos. Chega a ser bizarro como eles parecem cegos e surdos, sempre repetindo ações burras, o que desanima e acaba anulando desafios pessoais. Um ponto positivo é que há uma variedade de execuções furtivas com animações sangrentas, dando sempre a opção do jogador finalizar as missões de forma silenciosa ou barulhenta. Mas acredite, com o tempo, realizar os objetivos sem chamar atenção acaba se tornando chato, pois tudo que você deseja é que termine logo. E como a IA é burra e lenta, é simplesmente mais fácil sair metralhando todo mundo.

Mafia 3 review

Mundo aberto desinteressante

Em Mafia 2 o mundo aberto não era muito justificável para a história, mas de certa forma era divertido colecionar carros e modifica-los, roubar lojas, comprar roupas e tomar um whisky em bares. Em Mafia 3, o mapa é extenso e totalmente explorado em toda narrativa, com diferentes ambientes e estilos particulares, mas quando se trata de curtir um pouquinho, tirando os colecionáveis espalhados pela cidade, não há muito o que ser feito que seja paralelo as missões principais do jogo. Detalhe, coletar todos os colecionáveis não gera nenhum tipo de recompensa, o que acaba piorando sua experiência e não criando incentivo para exploração do mapa.

Se tratando de veículos, algo muito importante para que ambientação do jogo seja fiel a realidade da época, existe uma espécie de mecânico tipo GTA V que entrega um carro específico onde quer que você esteja, mas esses veículos são pré-definidos, e tirando umas básicas melhorias que vão sendo liberadas durante o jogo, não existe como modificar o veículo conforme seu gosto, como trocar pneus, mudar a cor e alguns outros detalhes.

Mafia 3 - carro

Algumas lojas estão espalhadas pelo mapa, mas nenhuma com opções de compras. Há bares e restaurantes, mas não há como interagir além da opção de roubar o caixa de dinheiro. Roupas? Nem pense nisso. Não há como modificar o traje do personagem principal. Para mim, que percorria todo o mapa de Mafia 2 para comprar todos os ternos mafiosos disponíveis, é muito triste ter que passar todo o tempo sem modificar Lincoln Clay em um mundo tão amplo. O contrário é sempre um passatempo gostoso.

Além disso tudo, não é possível ter uma casa, nem uma garagem, interagir com a cozinha, a cama, o banheiro, receber multa por velocidade alta, parar em postos de gasolina para encher o tanque, lavar o carro no laja jato, consertar o veículo, utilizar transporte público para viagem rápida.. ufa, até cansou.

O que mais assusta e surpreende é que tudo isso era possível em Mafia 2. Me parece que focaram apenas na história e esqueceram de várias raízes e pontos que eram um diferencial e tornava o jogo mais emocionante e divertido. Parece detalhes superficiais, mas somados fazem grande falta.

Faltou polimento gráfico em Mafia 3

Se tratando de gráficos, é possível perceber que houve muita correria para o lançamento de Mafia 3, dando a sensação de que o jogo foi entregue às prateleiras de forma bem apressada e sem muitos testes. Claro que há de se esperar que jogos de mundo aberto venham com bugs de presente, mas aqui eles se repetem e são realmente bem toscos, parecendo erros de iniciante. É possível observar problemas de otimização em diversos pontos. Iluminação, sombras, contraste.

Em alguns momentos, os personagens ficam borrados, sem textura e cores, como se houvesse excesso de luz. Há demora na definição de alguns cenários e em algumas execuções, personagens entram dentro de paredes e realizam movimentos fisicamente impossíveis. Bater os veículos não gera aquela destruição que se espera no automóvel e nem no ambiente. Também não há muita dinâmica dos corpos sendo atropelados e se caso haja a necessidade do personagem sair do veículo bruscamente, ao invés de haver uma animação, ele simplesmente aparece na rua em pé, como um teletransporte.

Trilha sonora impecável

Para alegrar um pouco, a trilha sonora é um dos pontos que mais gosto em Mafia 3. Existem mais de 100 músicas da época em três rádios disponíveis, onde há clássicos de Elvis Presley, Rolling Stones, Janis Joplin, Ramones, Jimi Hendrix, entre outros. Não tem como não se apaixonar e curtir o passar do tempo ao som de clássicos dos anos 60. É realmente algo fantástico e contribuiu muito para que a jogatina se tornasse mais leve e interessante, apesar de muitos “poréns”. É impressionante como certas músicas foram perfeitamente pensadas e selecionadas para determinados momentos.

Para uma franquia tão esperada e tão respeitada como Máfia, os bugs, a falta de otimização e de experiência me decepcionou muito. Mas nem tudo ficou perdido. É possível se divertir e se emocionar com a história e uma impecável trilha sonora.

Gráficos7
Som9
Jogabilidade7
Diversão6
7.3
Assuntos 2KMafia 3Windows

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Amanda Guedes

Amanda Guedes

Analista de seguros e baterista, gasto meu tempo vago com jogos, livros e séries. Viciada em Harry Potter, The Walking Dead, The Sims, jogos de mundo aberto e FPS.