Review: Assassin’s Creed Origins


O “Origins” do título se refere a história do jogo, mas também pode representar um novo começo para a franquia, em diversos aspectos técnicos. Assassin’s Creed Origins demonstra como fez bem para a franquia esses dois anos de hiato, pois o game evoluiu em de diversos quesitos, principalmente os técnicos.

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O Assassin’s Creed Origins conta a história de Bayek, um protetor de seu povo que tem uma clara missão de caçar e eliminar os responsáveis pela morte de seu filho. A história do jogo se passa no Egito Antigo, 45 anos A.C. e mostra diversos pontos da cultura e religião da época, muito presente na narrativa. O título foi lançado em 27 de outubro para PS4, Xbox One e PC.

Assassin's Creed Origins na BGS

O que mais chama atenção no começo é como os movimentos de combate estão mais fluidos. O aprendizado está mais fácil, e a variedade de armas deixa o jogo muito mais interessante. Ao contrário dos jogos anteriores, agora você tem interesse em encontrar mais armas diferentes e se aprimorar nelas, para se tornar cada vez mais eficientes nas lutas.

Aliás, ainda falando em simplicidade, todos os comandos e movimentos do personagem estão mais agradáveis do que antes. Usar o arco e flecha, tanto à pé quanto à cavalo possui uma mecânica tão acessível, que em pouco tempo você nem precisará pensar muito para executar.

O sistema de inventário de Assassin’s Creed Origins também está incrível. Armas, armaduras e escudos podem ser melhorados em ferreiros, roupas podem ser evoluídas com peles de animais que o próprio Bayek caça. Essa é uma parte divertida do jogo, que não tem ligação com a trama principal, mas aumenta o tempo de gameplay de forma natural, sem apelar para aquelas tarefas enfadonhas de “ache isso” ou “colecione aquilo” dos dois jogos anteriores.

Tudo é realmente muito simples, até mesmo navegar pelo menu, encontrar pontos no mapa, trocar o equipamento, entre outras coisas. Um grande acerto no design do jogo. É possível perceber que os desenvolvedores da pensaram nos detalhes para deixar a jogabilidade mais leve.

A segunda questão que torna Assassin’s Creed Origins tão diferente dos demais é o seu mapa imenso, que pode ser desbloqueado e acessado sem precisar evoluir no jogo. Basta pegar o seu cavalo (ou camelo) e ir até lá se quiser. Quando eu vi as pirâmides de Gizé no horizonte, larguei tudo que estava fazendo e fui para lá.

Assassin's Creed Origins

O único fato que pode desestimular um jogador a ir tão longe, sem nenhum objetivo, é que em cada uma dessas regiões do mapa, os inimigos podem possuir um nível muito acima do protagonista, o que vai dificultar qualquer combate e exploração mais profunda. E esse sistema é uma ótima solução para manter o jogador focado, sem prender ele artificialmente, com paredes invisíveis, por exemplo.

A série saiu de uma Londres na época da industrialização para as regiões desérticas do Egito Antigo, mas isso não deixou Assassin’s Creed Origins menos interessante como era de se supor. Por questões históricas, a grande cidade dá lugar a vilas, os grandes edifícios são substituídos por montanhas e templos. Porém, tudo é tão bonito e orgânico, que você não sente a diferença.

Os gráficos são realmente lindos, os templos são suntuosos, as vilas e acampamentos são vivos, com mercadores, grandes plantações, casas e fortalezas. Até os desertos são interessantes. Apesar de vazios, atravessá-los de camelo no meio de uma tempestade de areia, onde não é possível enxergar um palmo à frente, é uma experiência única em um videogame. Não estou dizendo que nenhum game fez isso antes, mas bem feito assim, vai ser difícil encontrar.

Para não dizer que só falei das flores (eu sei, troquei o sentido da expressão), o Assassin’s Creed Origins traz alguns vícios que a Ubisoft tem enorme dificuldade em se livrar, como no caso de ter muitas e muitas pessoas com o mesmo rosto e cabelo, por exemplo. Os famosos glitches visuais também estão presentes, e aparecem de maneira repentina e inexplicável, como bois que afundam no meio da estrada, ou carroças que voam.

A águia foi um excelente acréscimo para o gameplay da franquia, mas como toda novidade em um jogo, a produtora quer que a gente use o tempo todo, até em situações que realmente não precisa. Para quem não viu nada sobre Assassin’s Creed Origins, a ave é usada para detectar animais e inimigos de cima, e o jogo te obriga a usar mesmo que você esteja a poucos metros do alvo.

Outro aspectos que precisa ser comentado é que a história está mais visceral do que nunca. Jogos de Assassin’s Creed sempre foram visualmente brutais (e isso não mudou), mas a trama de Origins é mais tensa e angustiante do que os títulos anteriores. Tanto o Syndicate quanto o Unity tinham muitos momentos cômicos e personagens que fazem graça o tempo todo. Tudo isso foi deixado de lado.

9

Pedro Cardoso

Carioca, jornalista e apaixonado por games, cinema e esporte. Jogo videogame desde o Atari.