Watchmen

Watchmen: porque você deve ler esta HQ

mostra a história de super-heróis em “fim de carreira”, em plena guerra fria, vivendo cada um suas vidas, medíocres e seguindo seus próprios passos, sem o mesmo glamour do grupo que formavam antes. Os chamados Minutemen, uma espécie de Liga da Justiça, já não existem mais no momento em que a primeira edição começa. Alguns estão aposentados, outros trabalham para o governo e apenas alguns seguem à moda antiga, como o Rorschach.

Veja também: Porque você deve ler Preacher

Este personagem, que lembra muito o Questão da , é o detetive do grupo, e que logo no começo investiga o assassinato do Comediante. Procurando respostas para o crime, ele interroga seus antigos companheiros de grupo, e assim, os leitores vão acompanhando, em flashbacks, os bastidores do Minutemen, desde a glória, a decadência e o fim do grupo. É preciso ressaltar que o contexto de Watchmen é o mundo em que vivemos, mas onde a existência de super-heróis é uma coisa real, natural, e solidificada na nossa sociedade. Bom, vou parar por aqui esta descrição para não cometer nenhum Spoiler.

Mas o que você precisa saber antes de comprar as revistas, é que a trama não conta uma história de super-heróis tradicionais e suas costumeiras aventuras. Pelo contrário, ela desconstrói todo o mito que cerca essa galera (como Superman e Batman por exemplo). E isso é representado pela frase que ficou famosa “Who Watches the Watchmen”, que é encontrada em pixações dos muros e placas nas cenas de protestos da população.

Qual o limite entre a proteção plena e a tirania?

Watchmen mostra personagens mais humanos, falhos, e a citada frase representa bem o espírito da obra. Se eles nos vigiam, nos protegem, quem vigia eles? Qual o limite entre a proteção plena e a tirania? Eu até estendo essa observação a própria maneira dos EUA agir em relação ao mundo. Do tipo, “eu levo a democracia até o seu país, mesmo que eu tenha que dizimar uma vila inteira sua”. Aliás, tem uma passagem nesta graphic novel que exemplifica muito bem isso.

O Dave Gibbons, em entrevista ao site de notícias G1, disse que ele e Alan Moore não pensaram em desmistificar os heróis quando criaram a obra, apenas queriam responder algumas perguntas que eles se faziam sobre todo esse pessoal. Para mim várias perguntas foram respondidas, as mais importantes eu diria.

Watchmen

Com isso tudo, esta graphic novel introduziu uma nova maneira de se fazer nos Estados Unidos, criando histórias mais densas, com temática mais madura, atraindo mais o público adulto para este universo. Para você ter uma ideia, Watchmen é a única obra em incluída na famosa lista dos 100 melhores romances segundo a revista Time, desde 1923. E é claro, além de ganhar vários prêmios como Kirby, Eisner e Hugo, que é voltado para a literatura.

E se você quiser se aprofundar mais ainda, também já chegou no Brasil o livro “Os Bastidores de Watchmen” que mostra várias curiosidades da produção da graphic novel, algumas referências escondidas por Alan Moore nas revistas e os esboços originais de Dave Gibbons com várias artes. São 280 páginas de material.

Falar de Watchmen é sempre uma ação complicada e temerária. Por ser uma obra que tem lá o seu grau de complexidade, é sujeita a vários níveis de interpretação. Se tiver algo a acrescentar, deixe um comentário.

Pedro Cardoso

Carioca, jornalista e apaixonado por games, cinema e esporte. Jogo videogame desde o Atari.

  • el_asesino

    Concordo plenamente com este artigo.

    Watchmen é uma daquelas Hqs que devem ser lidas com calma e atenção de tanto detalhe que possui