Review: Dead Island


Depois de uma espera de pouco menos de cinco anos desde o anúncio oficial em 2006 e após um deliciosamente polêmico vídeo de divulgação, nem a famigerada geração Resident Evil (que acompanhou mudanças bruscas em sua série favorita) esperava pelo que estava por vir em , para PS3.

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O survivor-horror em primeira pessoa da causou o maior estardalhaço com seu enredo simples que coloca o jogador em uma ilha paradisíaca… nem tão paradisíaca assim. O título já havia revirado o estômago da crítica ao mostrar em seu primeiro trailer, a trágica tentativa de fuga de uma família frente à infestação zumbi. Misturando o estilo FPS, o desafio do survivor em mundo aberto e o combate com armas brancas, a fórmula Dead Island surpreende.

O game Dead Island tem dessas sutilezas que te fazem pensar “Puxa, que inusitado”. A começar pela tela de seleção de personagem. Os quatro protagonistas contam com habilidades e dramas únicos, mas que independentemente disso, acabam na mesma calamitosa situação. O detalhe aqui é que, se séries semelhantes favoreciam um másculo herói caucasiano e sua pistola no melhor estilo Resident Evil, Dead Island te oferece chineses, africanos, latinos e outros tipos que fogem dos padrões de heróis dos videogames americanos.

Pronto, escolhi meu personagem. Agora é só sair distribuindo pancada? Nada disso. Antes de fazer sangue jorrar para fora da tela, saiba que Dead Island funciona no sistema de missões. Isso quer dizer que você precisa cumprir tarefas pré-programadas para avançar. Se você curte jogar nesse estilo, vai adorar. Se não, não faz mal. O cumprimento ou não das missões não te limita de explorar o cenário e matar zumbis por você mesmo.

Dead Island

Quem disser que não ficou minimamente decepcionado com a qualidade gráfica de Dead Island não ser semelhante ao trailer de divulgação do jogo possivelmente estará mentindo. Dead Island, no entanto, baseou-se em um inteligente sistema de luz e sombra e encontrou um estilo gráfico bastante próprio que auxilia a ambientação do personagem a cenários internos e externos.

A ambientação musical do game foi sem dúvida algo deixado de lado. Não por descuido certamente, mas como uma estratégia para aguçar os sentidos do jogador. Nesse ponto, efeitos sonoros foram privilegiados para dar um tempero a mais à jogabilidade. Ossos quebrando, corpos queimando, carne sendo retalhada, gritos abomináveis de zumbis famintos, entre outros sons que criam o clima na hora da aventura.

Gosto de dizer que o que pode fazer Dead Island vencer um jogador ao invés do contrário, é o cansaço. O jogo em si não é difícil, mas exige muito do jogador em variados aspectos. Embora pareça divertida a ideia de trucidar mortos-vivos sem nenhum compromisso com o enredo, para se dar bem em Dead Island é preciso saber de cara que o jogo exige estratégias. Se a quantidade de armas é extensa, o dinheiro disponível para mantê-las sempre a 100% é reduzido. Isso sem falar com o pouco espaço para guardar centenas opções de armas. Tudo isso aliado a um mapa enorme e uma infinidade de missões pode atrapalhar quem só está afim de um pouco de derramamento de sangue casual.

Se quer avançar na história, enfrentar inimigos e situações mais tensas, precisa realizar as chamadas ‘quests’. O sistema de Dead Island divide suas tarefas em três categorias: principais, opcionais e contínuas. As principais, como o nome sugere, conduzem os acontecimentos do game. Somente através delas você pode, em dialeto gamer, “passar de fase” (Para aumentar o melodrama de horror, as ‘fases’ são chamadas de capítulos).

As tarefas opcionais aparecem em grande quantidade no jogo e servem para que você adquira experiência e evolua seu personagem além de gerar um dinheiro extra, usado para compra e reparo de armas. Geralmente abordam situações de caridade, onde você como uma boa alma, deve ajudar pessoas a solucionar os mais básicos e pessoais problemas de sobrevivência. A variedade de tarefas é grande. Você pode tanto precisar ir em busca de gasolina e mantimentos para seu grupo de refugiados quanto ter de ir atrás de um marido fujão ou uma joia valiosa em uma cabana perdida.

Por último, as missões contínuas se referem a eventos que nunca se esgotam no game. Funcionam da seguinte maneira: determinado personagem te pede para conseguir algum item. Em troca, ele te dá pontos de experiência, dinheiro ou até um novo item que te auxiliará em sua sobrevivência. A vantagem é que ele pede continuamente pelo mesmo item. Por exemplo, você pode ser solicitado a conseguir determinado número de garrafas de álcool para trocar por uma potente arma de fogo.

Dead Island

Não é subestimando a história do jogo não, mas não há nada de muito fantástico para se falar a respeito. A razão da ilha ter sido infestada por zumbis não é clara e o pouco de plot que vemos fica a cargo do drama pessoal de cada um dos personagens (e que nada afeta no desenvolvimento do jogo).

Diversão garantida em Dead Island

Aí está um fator inquestionável do game. Para você que vem eliminando zumbis ao longo de sua vida e tem uma certa resistência a deixar de lado sua pistola e o tiro certeiro na cabeça do inimigo, desamarre-se de suas convicções e pegue o primeiro pedaço de pau que encontrar pelo caminho. Sim, em Dead Island você tem a chance de fazer diferente. Remos, canos, bastões de beisebol, cabideiros.

A diversão é garantida, só não espere algo exatamente realista do sistema de combate. Você pode golpear um zumbi com toda força usando um remo de madeira, o zumbi morrer e sua arma continuar intacta, assim como pode arrancar todos os membros de um zumbi com seu facão e a pobre criatura continuar “viva” (se é que se pode falar isso). Mas vamos considerar como uma alegria a mais.

Triste é a vida de um jogador sem amigos online. A Techland que o diga. A empresa simplesmente decidiu que Dead Island não apresentaria um multiplayer local, então esqueça aquela humilhada no seu irmão mais novo. Mas se você é o grande veterano das redes, jogar a campanha no modo online compensa pela diversão e ainda te ajuda a melhorar na sua campanha principal com mais armas, mais dinheiro e mais experiência.

Gráficos8.5
Som9
Jogabilidade9
Diversão9.5
9